Documentos secretos recém-desclassificados revelam segredo nuclear

Oppenheimer Hearing Declassified

Documentos secretos recém-desclassificados revelam após décadas segredos sobre o sobre o Projeto Manhattan, iniciativa do governo americano responsável pela criação da bomba atômica em 1945, e segundo a Business Insider sugerem fortemente que “o pai da bomba atômica” não era um espião soviético. A recente desclassificação dos documentos aparentemente teria resolvido uma das principais controvérsias espionagem das primeiras décadas da Guerra Fria. Leia abaixo uma matéria relacionada do Zero Hora (RBS) citando o jornal The New York Times.

 

Em dezembro de 1945, quatro meses depois que as bombas atômicas decretaram o fim da Segunda Guerra Mundial, o exército dos EUA publicou um relatório secreto acerca da segurança em torno do Projeto Manhattan, a iniciativa do governo que foi responsável pela criação da bomba. Finalmente revelado por completo na semana passada pelo Departamento de Energia dos EUA, o relatório concluiu que esse foi o projeto “mais secreto da história dos projetos secretos de guerra”. Entretanto, ele também revelou que o projeto estava salpicado de falhas e de espionagem, revelando um enorme ponto cego por parte do governo: o fato de ele não saber que um dos aliados de guerra, a União Soviética, estava roubando os segredos do Projeto Manhattan e desenvolvendo suas próprias bombas atômicas.

De 1943 a 1945, os investigadores registraram 1.500 vazamentos de informação, 200 atos de sabotagem e 100 casos confirmados de espionagem, embora garantissem que sua ação tivesse “evitado o vazamento real de informações relevantes a respeito do projeto”. Alguns dos episódios foram muito sérios. Um suspeito foi morto ao passar em alta velocidade pela cancela de uma área militar. De acordo com outras fontes, oito agentes nazistas sabotaram usinas que forneciam eletricidade para os laboratórios nucleares em Oak Ridge, no Tennessee. Cinco espiões alemães foram interceptados antes que pudessem roubar segredos atômicos.

Outras falhas parecem menos perigosas, ou simplesmente bizarras. Alguns pregadores religiosos do Meio-Oeste e do Sul dos EUA, munidos de panfletos do colégio bíblico de Chicago que havia conseguido ter acesso a informações extremamente confidenciais, revelaram a existência do misterioso isótopo 235 do urânio a seus fieis, prometendo que qualquer outra fonte de energia se tornaria brincadeira de criança, em comparação (embora jamais seria potente o bastante para confortar nossas aflições e nos reconfortar em momentos de desespero).

Um engenheiro nova-iorquino foi despedido por deixar um arquivo secreto em uma cabine telefônica na Pennsylvania Station. O editor de um jornal rural da Carolina do Norte pediu um pouco de urânio 235 ao físico Arthur Compton para causar sensação nas palestras que costumava ministrar. O relatório concluiu que a maior empreitada de engenharia militar da história do país não foi penetrada, ou comprometida pelo “inimigo” — embora os autores não tivessem consciência de que, apenas três meses antes, um funcionário da embaixada soviética no Canadá havia abandonado seu posto, e revelado um enorme círculo de espionagem que buscava obter segredos militares.

— As autoridades ainda acreditavam, embora estivessem enganadas, que o programa da bomba atômica tivesse conseguido evitar o perigo da espionagem estrangeira — afirmou Steven Aftergood, diretor de projeto de sigilo governamental da Federação Americana de Cientistas. Além disso, Richard Rhodes, autor de “The Making of the Atomic Bomb” (A fabricação da bomba atômica, em tradução literal), afirmou que:

— De acordo com o que revelam os novos documentos, a equipe de segurança estava mais satisfeita com o próprio trabalho do que deveria estar —

O relatório do Corpo de Engenheiros do Exército destaca o escopo monumental do desafio de segurança, os esforços para cumpri-lo e a avaliação generosa que fizeram do próprio trabalho. Quando o Projeto Manhattan ganhou destaque no início de 1943, seus investigadores vetaram 400.000 funcionários potenciais (milhares foram rejeitados) e 600 empresas, conforme revelou o relatório. Porém, a necessidade do desenvolvimento das armas nucleares era superior às questões de segurança.

— A principal ênfase era a de finalizar o projeto — revelou o relatório, “e quando algum funcionário era considerado indispensável para o projeto, ele era detido, mesmo que sua lealdade estivesse acima de qualquer suspeita”. Agentes federais de operações de contrainteligência criaram empresas falsas que vendiam assinaturas de revistas para ter acesso a informações pessoais. Os investigadores se passavam por dedetizadores, jogadores, carregadores e eletricistas (sem levantar suspeitas mesmo ao demorar duas horas para trocar uma lâmpada). Um desses agentes trabalhou na recepção de um hotel por dois anos.

— Certa vez, um trem expresso foi parado por trinta minutos para que os agentes pudessem ir de avião até uma estação, onde queriam vigiar um passageiro — afirmou o relatório. Os suspeitos quase sempre eram alemães ou simpatizantes nazistas — não os espiões soviéticos que realmente roubaram os segredos que permitiram que criassem com sucesso uma bomba atômica em 1949. O relatório dizia que a capacidade dos EUA ou da Alemanha de desenvolver a bomba poderia alterar o curso da história e ser um fato dominante no pós-guerra. O relatório acrescentava:

—  As consequências do uso da bomba atômica por qualquer outra nação inimiga eram tão assustadoras, que ninguém questionava que esse deveria ser o principal objetivo. O fato de que os alemães nunca tenham feito um grande esforço para a fabricação da bomba atômica era prova de que as iniciativas para manter o sigilo em relação ao progresso do projeto haviam sido bem sucedidas —

Em um adendo posterior, engenheiros do governo norte-americano temiam que mesmo que os alemães não obtivessem acesso aos dados do Projeto Manhattan, eles poderiam lançar alguma bomba capaz de dispersar material radioativo — aquela que viria a ser conhecida como uma bomba suja. No dia 5 de setembro de 1945, o funcionário soviético, Igor Gouzenko, desertou no Canadá. Cinco dias depois, David e Ruth Greenglass chegaram a Nova York, e David colaborou com seu cunhado, o espião Julius Rosenberg, no projeto da bomba de implosão experimental que ele havia descrito aos soviéticos em janeiro do ano anterior.

— A informação Greenglass/Rosenberg foi a primeira notícia que os soviéticos tiveram da bomba de implosão — afirmou Rhodes, o autor do relatório, e o programa soviético incorporou aquela pesquisa, que era fundamental para o desenvolvimento da bomba. A revelação feita por Greenglass, um maquinista do exército estacionado em Los Alamos, no Novo México, onde a bomba estava sendo projetada, levou os soviéticos a mudarem imediatamente de rumo na fabricação de sua bomba.

Pouco tempo depois, as informações foram suplementadas por dados fornecidos por cientistas desertores, incluindo Klaus Fuchs e Theodore Hall. No mesmo dia em que o casal Greenglass voltou a Nova York, o filme de Henry Hathaway, “A Casa da Rua 92”, a respeito da caça bem sucedida de espiões nazistas, foi lançado em Hollywood. Após a finalização do filme, as bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Os produtores inseriram apressadamente o seguinte epílogo, com um discurso apropriadamente grave:

— Processo 97 – a bomba atômica – o maior segredo dos Estados Unidos permanece secreto. Nenhum ato de sabotagem inimiga foi capaz de romper as barreiras americanas. Nenhum grande segredo foi roubado de nós —

 

Transcrições de Oppenheimer / Documento desclassificado

 

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