Os 10 princípios da propaganda de guerra.

Para a população e a comunidade internacional “aceitarem” ou ao menos não condenarem uma guerra, os Estados utilizam da propaganda. O livro de Michael Collon “Princípios elementares da propaganda de Guerra” mostra os 10 principais argumentos para a guerra.

O livro conta os meios utilizados para promover a aceitação do conflito, esconder os interesses econômicos, difamar os adversários, esconder a história e a geografia da região do conflito e organizar a amnésia coletiva.

1- “Nós não queremos a guerra”

Já foi observado que antes de uma guerra os respectivos chefes de Estado sempre apresentaram o discurso de que ” não preferem a guerra”.

2- “O adversário é o único responsável pela guerra”

Este segundo princípio se deve ao fato de que cada nação assegura ter sido constrangido a declarar a guerra para impedir o outro de destruir os seus valores, por em perigo nossas liberdades, ou mesmo destruir-nos totalmente. Trata-se portanto da aporia de uma guerra para por fim às guerras.

3- “difamação do adversário”

A primeira operação de uma campanha de demonização consiste em reduzir um país a um único homem. Em fazer portanto como se ninguém vivesse no Iraque, que unicamente Saddam Hussein, sua “temível” guarda republicana e suas “terríveis” armas de destruição em massa.

4- “Defendemos uma causa nobre e não interesses particulares “

Os objetivos econômicos e geopolíticos da guerra devem ser mascarados e para isso é preciso persuadir a opinião publica.

“Não temos ambições no Iraque, a não ser remover uma ameaça e restaurar o controle do poder a seu próprio povo.” George W. Bush

5- “O inimigo faz atrocidades na guerra, nos somos obrigados a faze-los”

Os relatos das atrocidades cometidas pelo inimigo constituem um elemento essencial da propaganda de guerra Mas faz-se crer que só o inimigo comete tais atrocidades e que o nosso exército é amado pela população, que é um exército “humanitário”.

6- O inimigo utiliza armas não autorizadas

“O povo dos Estados Unidos, nossos amigos e aliados não viverão à mercê de um regime criminoso que ameaça a paz com armas de assassinato em massa.” George W. Bush – Discurso da guerra do Iraque, as armas de destruição em massa nunca foram encontradas.

7- “Sofremos poucas perdas, o inimigo, muitas.”

“Com raras excepções, os seres humanos geralmente preferem aderir a causas vitoriosas. Em casos de guerra a adesão da opinião pública depende portanto dos resultados aparentes do conflito. Se os resultados não forem bons, a propaganda deverá ocultar as nossas perdas e exagerar as do inimigo”

Já na Primeira Guerra Mundial, um mês após o começo das operações, as perdas elevavam-se a 313 mil mortos. Mas o estado-maior francês jamais confessou a perda de um cavalo e não publicava a lista nominativa dos mortos.

A guerra no Iraque é exemplo atual do mesmo gênero, em que se proibiu a publicação das fotos dos caixões de soldados americanos na imprensa.

8- “Os artistas e intelectuais apoiam nossa causa “

“O ator Tom Cruise e o diretor Steven Spielberg se juntaram à lista de celebridades que estão declarando publicamente suas opiniões sobre o Iraque, ao manifestarem-se a favor da posição do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.” *

9- “Nossa causa tem um carácter sagrado “

Este critério pode ser tomado nos dois sentidos, quer literal, quer geral. No sentido literal, a guerra apresenta-se como uma cruzada, portanto a vontade é divina. Não se pode subtrair à vontade de Deus, mas apenas cumpri-la. Este discurso retomou grande importância desde a chegada de George Bush filho ao poder e, com ele, toda uma série de ultra-conservadores integristas. Assim, a guerra no Iraque manifesta-se como uma cruzada contra “o Eixo do Mal”, uma luta do “bem” contra o “mal”. Era nosso dever “dar” a democracia ao Iraque, a democracia sendo um dom saído diretamente da vontade divina. Assim, fazer a guerra é realizar a vontade divina. Escolhas políticas tomar um carácter bíblico que apaga toda realidade social e econômica. As referências a Deus sempre foram numerosas (In God We Trust, God Save the Queen, Gott mit Uns, …) e servem para legitimar sem rodeios as acções do soberano.

10- “Aqueles que põem em dúvida a nossa propaganda são traidores “

Este último princípio é o corolário de todos anteriores. Toda pessoa que ponha em dúvida um único dos princípios enunciados acima é forçosamente um colaborador do inimigo. Assim, a visão mediática limita-se aos dois campos citados acima. O campo do bem, da vontade divina, e o do mal, dos ditadores.

Torna-se portanto impossível fazer surgir uma opinião dissidente sem sofrer um linchamento mediático.

Acesse o site do Livro, ou leia um Artigo sobre o livro. 

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